terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Twitter no Jardim do Éden....

Charge retirada do blog Púlpito Cristão.

Achei muito interessante esta charge...Você já imaginou alguns pastores, pregadores, profissionais da fé no Jardim do Éden?

Morreriam de tédio....ninguém para bajular o seu ego, ninguém para gritar o seu nome e nenhum tipo de tietagem....pra quem iriam vender suas relíquias? 

Que 2011 seja o ano em que muitos irmãos e irmãs abram seus olhos espirituais....

Feliz Natal e um Próspero  Ano Novo cheio da presença do Senhor.

Pr. Alexandre Farias 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Comunhão portenha - Por Revista Cristianismo Hoje

Aquele último culto, num domingo de 2007, foi marcado pela desolação dos membros. Às vésperas de fechar as portas, o líder da pequena igreja pentecostal escreveu um e-mail para o colega Norberto Saracco pedindo oração.


A congregação perderia seu templo em Buenos Aires, a capital argentina, a menos que pagasse o equivalente a 25 mil dólares para resolver um processo legal de longa data em relação à propriedade. Parecia não haver saída, pois o valor equivalia a quase um ano de arrecadação da igreja. Saracco, da Igreja Boas Novas e integrante do Conselho de Pastores da cidade, fez as orações pedidas e algo mais. Ele enviou a seguinte resposta: “Não podemos permitir que uma igreja feche em Buenos Aires”. Dois dias depois, pastores de várias denominações haviam doado o dinheiro necessário. “Quando dizemos que há somente uma Igreja em Buenos Aires, estas são as consequências”, explica Saracco. “Se queremos uma Igreja forte na cidade, cada igreja local tem que ser forte também”.

As palavras do religioso expressam o espírito daquela que é hoje, talvez, a maior experiência de unificação de igrejas de uma grande cidade em todo o mundo. Em um país sem forte tradição evangélica, a Igreja argentina tem visto uma iniciativa pouco comum: uma tentativa de unificação.

Não se pretende montar uma única megaigreja onde todos congreguem, mas sim, resgatar um conceito bíblico simples, o da unidade em Cristo. “Toda vez que o Novo Testamento fala da igreja em uma cidade, como Éfeso ou Corinto, é sempre no singular, não no plural”, diz Carlos Mraida, pastor da Primeira Igreja Batista do Centro de Buenos Aires. “Entretanto, quando o Novo Testamento fala de liderança em uma cidade, é sempre no plural. A igreja é singular, mas a liderança é plural”.

Pluralidade tem sido mesmo a palavra de ordem entre cerca de 150 igrejas evangélicas da Grande Buenos Aires, um aglomerado urbano com 13 milhões de habitantes. Desde que foi montada, a entidade tem atraído cada vez mais líderes. Os pastores reúnem-se mensalmente para orar, confraternizar, traçar planos de ação comum e, se for o caso, socorrer-se mutuamente. Não é preciso abrir mão das próprias convicções, nem existe qualquer patrulhamento teológico. Pentecostais convivem com históricos na maior harmonia. “Estamos de acordo apenas sobre os elementos centrais, como a Trindade, a morte de Jesus na cruz e sua segunda vinda, por exemplo”, explica Juan Pablo Bongorrá, pastor da Igreja Portas Abertas. Os quase 200 membros do Conselho de Pastores de Buenos Aires continuam a divergir sobre temas como o divórcio, batismo pelo Espírito Santo e formas de realizar o culto. “Aceitamos a diferença como uma riqueza. Seria ruim se todas as igrejas fossem iguais. Imagine se Deus tivesse criado apenas um tipo de flor, como isso seria chato”, compara.

Ao invés disso, as igrejas ligadas ao órgão estão fazendo trocas importantes. “Hoje, as igrejas mais tradicionais estão ajudando as congregações avivadas a fazer mais trabalhos sociais, e estas incentivam aquelas a realizar mais trabalhos evangelísticos”, explica o pastor, que é um dos cinco dirigentes do Conselho. O resultado é uma força conjunta capaz de influenciar mais a sociedade argentina, já que conselhos semelhantes têm se reproduzido em outras regiões do país. Foi assim em novembro do ano passado, quando os evangélicos uniram-se para confrontar o governo e o legislativo na questão do casamento gay, e na recente crise econômica do país. “O mais importante é a mentalidade de que a unidade é um processo contínuo, não um evento”, acredita Mraida.

Reconciliação – Inicialmente, os crentes portenhos – como são conhecidos os moradores da cidade – tentaram iniciar um movimento de unidade após a cruzada que o evangelista americano Billy Graham realizou ali, em 1962. Anos depois, outra cruzada, desta vez do pregador Luis Palau, em 1977, encetou algumas iniciativas naquela direção, mas sem sucesso. Não que houvesse contenda entre os crentes – “as igrejas aqui nunca foram hostis ou competitivas”, garante o pastor Bongorrá –, mas cada igreja estabelecia e perseguia seus próprios objetivos. Um novo espírito de unidade surgiu no início dos anos 1980, quando centenas de cidades formaram conselhos de pastores, alguns com mais de mil membros. O de Buenos Aires foi montado em 1982 por Bongorrá, Saracco e Mraida, junto com o carismático pastor Jorge Himitián e o ministro batista Pablo Medeiros. “O ponto de partida foi criar e desenvolver a amizade entre os pastores”, diz Saracco, “já que é mais fácil unir pessoas do que denominações”.

Uma das primeiras ações do grupo foi a reconciliação sobre os erros do passado recente. A Argentina engatinhava na redemocratização, após a sangrenta Guerra Suja da década anterior, período em que os militares governaram o país com mão de ferro, e o trauma do conflito contra o Reino Unido pela posse das ilhas Malvinas. “O tumulto político no país criou uma profunda divisão entre as igrejas que defendiam os direitos humanos e aquelas que permaneceram em silêncio”, diz Saracco. O ponto alto foi um grande evento no qual o Conselho pediu aos dois lados para perdoarem um ao outro em frente aos 250 mil congregados. O ato teve um efeito purificador.

Quando ficou claro que uma estrutura formalizada, com cargos tradicionais e instâncias administrativas, levaria o grupo à inação, os pastores optaram por outra tática. “Mudamos a mentalidade”, lembra Bongorrá. “Resolvemos trabalhar como igreja e nos concentrar nos dons espirituais”. O movimento de unidade logo mudou o foco da ideia de uma simples comunhão entre pastores para o conceito de “igrejas ajudando igrejas”. Quando uma Igreja Anglicana foi forçada a encerrar seu programa de Escola Dominical em 2008 por falta de professores, levando a um êxodo de famílias, a congregação pentecostal liderada por Saracco enviou quatro voluntários para executar um programa de educação bíblica. Noutra ocasião, um pastor do subúrbio pediu socorro porque o colégio que a igreja mantinha estava na bancarrota. Em resposta, o Conselho uniu-se para pagar dívidas com impostos e salários dos professores.


A estrutura flexível é considerada uma das chaves para o sucesso. Outra é ter algo para fazer em unidade. “Durante muitos anos, não tínhamos um projeto comum”, diz Bongarrá. “Agora, os pastores estão se juntando cada vez mais a nós – porque é bom orar juntos e ter um bom tempo de comunhão –, mas, também, porque as pessoas estão mais felizes por terem algo para fazer em unidade, um objetivo comum”. O trabalho do Conselho da capital tem chamado a atenção. A Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da República Argentina (Aciera) fez uma convocação para que todos os conselhos de pastores de outras cidades e províncias do país comparecessem a um evento no Seminário Batista de Buenos Aires em abril. Ali, os pastores portenhos falaram de sua experiência.

“Paradigma bíblico” – Mas o desafio é grande. Embora num ritmo bem menor que o brasileiro, as igrejas também estão crescendo numericamente na Argentina. Hoje, a quantidade de evangélicos do país chega a 3 milhões de pessoas (pouco menos de 10% da população), a maioria, pentecostais. “Apesar disso, o Reino de Deus não tem sido estabelecido”, preocupa-se o pastor Carlos Mraida. “A cidade fora dos muros da igreja está muito pior em quase todos os quesitos espirituais e seculares”, reconhece. Ele conta que, ao longo de seus 24 anos de ministério, viu que, quando cada um cuida de fazer só o próprio trabalho, o avanço é modesto. “Jesus disse que uma única exigência para vermos o avivamento é que sejamos um, a fim de que o mundo creia, conforme João 17. Temos que voltar a um paradigma bíblico.”

Nos últimos quatro anos, Mraida tem convidado pastores de diferentes denominações para servir mensalmente a Ceia do Senhor na sua congregação. Ele mesmo já foi beneficiário da mutualidade que ajuda a fomentar. Quando a Igreja Batista que dirige estava construindo um novo santuário, a Igreja Visão do Futuro, do pastor Omar Cabrera, localizada a apenas 10 quarteirões, contribuiu com 70 mil pesos (cerca de R$ 35 mil em valores de hoje) para compra de cimento. “Indagaram-me porque estávamos ajudando a construir outra igreja tão perto de nós”, lembra Cabrera. “Respondi simplesmente que estávamos no mesmo time”.

Ultimamente, as prioridades do Conselho de Pastores têm sido a oração e a evangelização. Em junho de 2008, a entidade organizou a primeira campanha de 40 dias de oração, encerrada com uma vigília de três noites ao ar livre, em frente ao Congresso do país. Ano passado, a coisa se repetiu, e em 2010 estendeu-se para cinquenta dias, a partir da Páscoa. Agora, está em pleno andamento uma mobilização para que os crentes portenhos assumam uma responsabilidade espiritual por sua cidade. Voluntários concordaram em orar por cada um dos 12 mil quarteirões da Região Metropolitana.


Periodicamente, eles percorrem as ruas distribuindo folhetos e falando de Jesus aos moradores.

Hoje, o Conselho já possui sete mil quarteirões cobertos por voluntários de 100 igrejas locais, e os pastores estão confiantes de que, até o fim do ano, toda a Grande Buenos Aires estará debaixo de oração e ação evangelística. Outra campanha promove os valores cristãos através da veiculação de mensagens temáticas, tendo como base o slogan “A Argentina que Deus quer é possível com Jesus Cristo”. A cada duas semanas, as mensagens são divulgadas através de jornais, rádios, outdoors e panfletos. Muitos pastores reforçam os anúncios atrelando seus sermões ao tema de cada semana.

Os custos são cobertos por um pool de igrejas dirigidas pelos pastores do Conselho. As congregações têm sido tão entusiastas que as ofertas para o órgão – normalmente inferiores a dois mil pesos por mês – totalizaram a espantosa quantia de 750 mil pesos (R$ 375 mil) em cinco meses.

Originalidade – O último exemplo de evangelização unificada de toda a cidade foi o envio, em fevereiro deste ano, de missionários para a África do Norte, representando toda a Igreja de Buenos Aires. Trata-se de uma outra inovação, já que até então os obreiros transculturais eram enviados por igrejas locais ou agências missionárias. “Esse envio unificado é um modelo para viabilizar a obra missionária e torná-la possível para a realidade econômica da América Latina”, elogia o presidente internacional da Cooperação Missionária Iberoamericana (Comibam), David Ruiz. “O sucesso em Buenos Aires vem em um momento em que os grupos tradicionais de unidade da América Latina – como a Confraternidade Evangélica Latinoamericana e o Conselho Latinoamericano de Igrejas – estão em vias de extinção ou perda de relevância.”

Atual diretor-adjunto Comissão de Aliança Missionária Evangélica Mundial, Ruiz acredita que o Conselho de Buenos Aires é um órgão muito original. “A maioria das alianças evangélicas estão enfrentando uma crise de identidade, e esta entidade está trazendo uma alternativa para a unidade da Igreja no continente”. O líder teológico René Padilla, presidente emérito da Fundação Kairós de Buenos Aires, diz que a iniciativa representa o novo. Embora reconheça a importância do trabalho, ele observa que sua influência ainda não se faz sentir fora da cidade. “Ainda existem grandes divisões entre os grupos de igrejas principais e conservadoras”, aponta. “Há sinais encorajadores de pessoas se relacionando entre as denominações, mas ainda há um longo caminho a percorrer”.

Contudo, Norberto Saracco e seus companheiros de ministério parecem não ter pressa. “A nossa visão e nossa tarefa são uma questão de fé. Estamos conscientes das nossas diferenças hoje, e sabemos que possivelmente não veremos o fim delas durante a nossa vida Talvez isso demore cem, duzentos ou 300 anos, não sabemos. Mas Abraão foi o pai da fé porque acreditou, não porque viu”, observa.

Se queremos uma Igreja forte na cidade, cada igreja local tem que ser forte também?

OutrosCuba para Cristo. A hora! Cinquenta anos depois de Sierra Maestra, crentes aproveitam o momento de abertura politica e promovem uma revolução espiritual na ilha Juntando os cacos Igrejas hispânicas nos EUA enfrentam a crise das hipotecas e reformulam ministérios para socorrer fiéis que perderam tudo. [ ver todos ] Leia TambémMATÉRIASJesus Cristo, Superstar Após dois mil anos, ensinamentos do Filho de Deus continuam influenciando o comportamento, o mundo corporativo, a mídia e a academia em plena era da informação. O doutor Bíblia Médico e colecionador, Aristóteles Alencar costuma peregrinar em busca de exemplares raros e já tem 1,5 mil edições da Palavra de Deus. COLUNASUma garotinha “Chega de nos chocarmos apenas com o fato de não nos chocarmos.” Espiritualidade e responsabilidade social As comunidades de Jesus Cristo são chamadas à obediência na luta pela justiça e na prática da misericórdia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Israel quer permitir adoção por homossexuais - por Agência EFE

JERUSALÉM - Um comitê do Ministério de Assuntos Sociais israelense estuda a possibilidade de reformar a lei para estender a adoção a casais do mesmo sexo, informou à Efe seu porta-voz, Nachum Ido.


A lei israelense só permite a adoção a casais heterossexuais, mas a Corte Suprema permitiu recentemente que várias lésbicas pudessem cuidar de crianças maiores de dois anos. Estes casais de mulheres receberam crianças rechaçadas por muitos candidatos para adoção, porque seus pais tinham um passado conflituoso ou porque não eram recém-nascidos, explicou Ido.

- Nossa experiência do acompanhamento destes casais de lésbicas em sua adoção é que foram muito boas mães - assegurou o porta-voz do Ministério liderado pelo trabalhista Issac Herzog. O comitê, formado há dois anos, mas que ficou paralisado após a renúncia de seu presidente anterior, começará a analisar nas próximas semanas a possibilidade de reformar a lei ou que a Corte Suprema aprove a adoção a casais do mesmo sexo, que por enquanto limitou a lésbicas e para crianças maiores de dois anos.

Ido precisou neste sentido que outro comitê no Ministério da Justiça estuda as implicações legais de uma eventual reforma. Embora faça parte dos trabalhos do comitê de seu Ministério, o porta-voz considerou mais complicado o caso dos homens, porque apenas um casal do sexo masculino procurou a adoção.

Reportagem por Agência EFE

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Entrevista com Wayne Grudem - Vida Nova

 Teologia Brasileira: Há mais de 10 anos sua Teologia Sistemática foi publicada aqui no Brasil e passou a ser adotada por diversos seminários como o principal texto da área. Atualmente, como um dos mais importantes livros de teologia sistemática, a popularidade que ele alcançou demonstra ampla aceitação de suas ideias. A que atribui tamanha aceitação de sua obra no Brasil?

Grudem: Antes de qualquer coisa, vejo isso tudo como o favor e a bênção do Senhor sobre o ensino de sua Palavra. Meu livro, Teologia Sistemática, tem forte fundamento nas próprias palavras da Bíblia. Portanto, quando alguém o lê, encontra muitos versículos bíblicos que citei ao longo do livro. Creio que o fato de ter incluído a própria Palavra de Deus confere à didática do livro muito mais poder e eficácia para tocar o coração e a mente das pessoas.

Um segundo motivo é por eu ter escrito o livro de maneira que pudesse ser entendido por cristãos comuns, não apenas por acadêmicos em seminários e universidades, pessoas que possuem instrução mais avançada. Tentei empregar uma linguagem acessível por todo o livro e, nas situações em que utilizei termos teológicos especializados, sempre busquei antes explicá-los ao leitor.

O terceiro motivo é por eu ter tentado escrever o livro de modo a incluir aplicações práticas para a vida cotidiana. Assim, espero que a fé das pessoas, sua vida de oração, obediência e amor a Deus sejam aprofundadas pela leitura dessa obra.

Teologia Brasileira: Qual é sua avaliação a respeito da contribuição latino-americana à teologia nos últimos vinte anos?

Grudem: Creio que os cristãos no restante do mundo têm sido encorajados e desafiados pela grande fé demonstrada entre os cristãos da América Latina. Acredito também que os cristãos de outras partes do mundo têm sido desafiados pelo notável crescimento da igreja latino-americana, algo que reflete seu profundo amor pelos incrédulos e sua confiança no poder de Deus. Igrejas em diversas regiões da América Latina têm crescido em uma proporção que ultrapassa de longe qualquer fenômeno que esteja ocorrendo na América do Norte ou na Europa.


Creio que a igreja na América Latina tem também servido de estímulo para que outros cristãos ao redor do mundo dediquem mais atenção à tentativa de encontrar soluções de longo prazo às necessidades dos pobres, algo em que estou começando a empenhar-me.


Sinto dizer que não sei ler português nem espanhol; por isso, não posso ler a literatura acadêmica teológica produzida nessas duas línguas.

Teologia Brasileira: O Brasil está sendo cada vez mais exposto ao movimento da igreja emergente.1 Qual é sua opinião sobre este fenômeno? Quais pontos positivos e negativos enxerga nessa nova forma eclesiástica?

Grudem: Sempre aprecio quando igrejas descobrem uma nova ênfase que possa ser atribuída à celebração no culto e ao uso mais difundido da arte no trabalho da igreja. Também tenho apreço por qualquer tentativa de compreender como podemos alcançar com o Evangelho a geração atual de jovens não crentes. Vários segmentos do movimento de igrejas “emergentes” e “em emergência” têm desafiado a igreja dessa maneira.


Todavia, fico profundamente preocupado com a perda de entendimento doutrinário, bem como com a postura de minimizar a importância da doutrina e da fidelidade à Palavra de Deus. Essa é a essência da minha Teologia Sistemática – compreender e, então, permanecer fiel aos ensinamentos da Palavra de Deus.


Se você ler os livros de 1 e 2Timóteo e Tito, por exemplo, ou 2Pedro e Judas, perceberá rapidamente que os autores do Novo Testamento preocupam-se profundamente com o risco de que suas jovens igrejas se desviem, aceitando e tolerando falsos ensinamentos, que afastarão as pessoas de Deus e da fidelidade a ele. Em último caso, se uma igreja se desviar muito em sua compreensão doutrinária e permitir que falsos mestres tomem conta de seus púlpitos, o favor e a bênção de Deus serão retirados dessa igreja.


Às vezes, fazemos uma distinção entre as igrejas “emergentes” [emergent churches], que se tornaram bem mais liberais em sua doutrina, e as igrejas “em emergência” [emerging churches], que às vezes são muito mais conservadoras e fiéis à Palavra de Deus (embora aqui também encontremos variações).


O ponto principal é preservar a importância de sermos fiéis a toda a Palavra de Deus, em especial no que diz respeito às pessoas autorizadas a ensinar nas igrejas e escrever para editoras cristãs.

Teologia Brasileira: As ideias propostas pelo “teísmo aberto” têm suscitado diversos debates aqui no Brasil. Alguns teólogos de igrejas tradicionais e pentecostais têm sido favoráveis à adoção desse movimento teológico. Essa tendência é alimentada por tragédias no cenário internacional, tal como o aumento do terrorismo, as recentes tsunamis e o acidente da Air France. Como o senhor enxerga o “teísmo aberto”? Esta teologia poderia de algum modo ser útil para as igrejas ou seria ela apenas mais uma teologia que precisa ser enfrentada e refutada?

Grudem: Creio que o “teísmo aberto” é um ensino muito perigoso. Existem mais de 2 mil passagens na Bíblia mostrando que Deus conhece o que os seres humanos farão no futuro [Uma lista de 2.353 profecias desse tipo foi compilada por Steven C. Roy, que a menciona em seu livro How Much Does God Foreknow? (Downers Grove: IVP, 2006). Essa lista está disponível para download em http://www.ivpress.com/title/exc/2759-lists.pdf]. O “teísmo aberto” contradiz a força que todos esses versículos possuem. Nega ainda a doutrina da onisciência divina, a ideia de que Deus conhece todas as coisas que aconteceram e acontecerão, e até mesmo todas as coisas que poderiam ter acontecido, mas não aconteceram!

Os defensores do “teísmo aberto” são obrigados a redefinir “onisciência” de maneira especial, de modo que signifique apenas que Deus conhece tudo o que é possível conhecer; logo em seguida, dizem que não é possível conhecer o futuro. Ao fazerem isso, eles impõem seu limitado conhecimento humano acerca do que é “possível” conhecer ao infinito caráter de Deus, o que é um erro. Além disso, retiram a força de um número avassalador de versículos bíblicos.


O problema de negar que Deus conhece nossas escolhas futuras é que essa atitude reduz drasticamente nossa capacidade de confiar em Deus. Como saberemos se o direcionamento que Deus nos dá é sábio, quando Ele mesmo pode não saber quais eventos futuros nos sobrevirão? Como poderemos confiar que ele nos conduzirá para um futuro que Ele próprio nem conhece?


Em Isaías 45.21 e Isaías 46.9,10, Deus se diferencia dos falsos deuses das religiões pagãs, dizendo ser o único que consegue saber o futuro. É assim que Ele mostra ser o único Deus verdadeiro. E é por isso que suas profecias sempre se cumprem. Os teístas abertos são obrigados a transformar as profecias de Deus em meros palpites sobre o que está para acontecer ou, então, em exceções ao ensinamento deles. Porém, não é essa visão de Deus que a Bíblia ensina.


Um livro recente muito útil sobre esse assunto é God’s Lesser Glory: the diminished God of Open Theism (Crossway, 2000), de Bruce Ware.2 Ver também um estudo bem minucioso feito por Steven C. Roy, How Much Does God Foreknow? (IVP, 2006).


Teologia Brasileira: Uma das maiores queixas contra a teologia sistemática é o fato de ela ser apenas de uma reflexão teórica sem nenhum atrativo prático para a aplicação no dia a dia. Qual é sua reação a esse tipo de comentário? Como a teologia sistemática contribui para a vida diária dos cristãos contemporâneos?

Grudem: Conforme expliquei acima, acredito que um dos motivos que levaram os cristãos a reagirem tão positivamente à minha Teologia Sistemática foi o fato de ela conter, no final de cada capítulo, questões para aplicação prática.


Certa vez, eu estava pensando sobre os livros mais densos do Novo Testamento, doutrinariamente falando, tal como Romanos, Efésios e Hebreus. Será que existe alguma aplicação prática nesses livros? É claro que sim! Neles existe muita aplicação! Depois, pensei comigo mesmo: se o Novo Testamento nunca ensina teologia sem aplicação, por que nós deveríamos ensinar? Será que não devemos também incluir aplicação para a vida, sempre que ensinarmos teologia sistemática? Foi isso que me levou a incluir na Teologia Sistemática essa ênfase na aplicação prática.


Teologia Brasileira: Qual é sua opinião sobre as propostas apologéticas usadas por evidencialistas e pressuposicionalistas quanto às “evidências a favor da existência” de Deus?

Grudem: Se eu tivesse de escolher um dos lados do debate, ficaria do lado dos pressuposicionalistas. Eles nos recordam que, ao falarmos com um não crente, todos os fatos do universo são, em última análise, compreendidos de maneiras diferentes pelo não crente e por nós, cristãos. Isso acontece porque colocamos todos os fatos no contexto do propósito geral de Deus e de seu controle total do universo. Cada fato tem uma função, seja para levar adiante o reino de Deus e aumentar sua glória, seja para outros propósitos que não implicam glória a Deus. Portanto, pensando dessa maneira, creio que devemos lembrar-nos de que não existem fatos “neutros”, quando conversamos com descrentes. Eles enxergam cada fato no contexto de sua cosmovisão, que é contrária à cosmovisão bíblica.


Por outro lado, sou a favor de todos os tipos de evidências e argumentos, desde que ajudem a levar não crentes mais perto de depositar sua confiança em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Recordo-me de uma vez em que estava conversando com uma mulher sentada ao meu lado no avião, que se dizia ateia. Falava-lhe sobre minha crença em Deus e confiança em Jesus Cristo, mas ela era uma ateia convicta. Então, quando o avião aterrissou, recebi uma mensagem de texto no meu celular e a li. A mulher fez algum comentário sobre as maravilhas da tecnologia da telefonia celular e eu respondi: “Sim, mas você sabia que ninguém criou este celular? Ele surgiu por acaso, a partir de vários materiais da terra!”.


Ela riu, mas entendeu a que ponto eu queria chegar com meu comentário. Ela pensava que todas os seres vivos do universo surgiram simplesmente por acaso, mas não conseguiria crer na mesma visão em relação a um simples telefone celular. Sendo assim, sou a favor do emprego de evidências, onde quer que possam ser usadas, mas sempre lembrando que os não crentes abordam cada fato a partir de pressupostos diferentes dos nossos.

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1 Para um estudo mais aprofundado do movimento da igreja emergente, recomendamos a leitura da obra: CARSON D. A. Igreja Emergente. O movimento e suas implicações. São Paulo: Edições Vida Nova, 2010. [N. do T.]


2 Recomendamos ainda, do mesmo autor, o livro Ware. A. B. Teísmo aberto: a teologia de um Deus limitado. São Paulo: Edições Vida Nova, 2010. [N. do T.]

sábado, 18 de setembro de 2010

POLÊMICA - Líderes religiosos criticam "Dia do evangélico"

Líderes evangélicos se mostraram surpresos ontem ao saber que a lei 12.328 — que institui o dia 30 de novembro como Dia do Evangélico — foi sancionada quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto foi publicado ontem no Diário Oficial da União. O projeto é do deputado do Partido Republicano Brasileiro (PRB-MA), Cléber Verde.


“É uma iniciativa simpática, mas, todavia, a República nasceu laica e precisa continuar laico. Defendo a separação entre Igreja e Estado para que haja democracia. O presidente precisa despertar para esse aspecto da Constituição” explica o presidente da Catedral Presbiteriana do Rio e da Academia Evangélica de Letras do Brasil, Reverendo Guilhermino Cunha.

O diretor-geral da Convenção Batista Carioca, Pastor Walmir Vieira, concorda:

“Não há necessidade disso. O dia do evangélico é todo dia, quando damos testemunho de uma vida cristã e bonita. Se existe um dia do evangélico, será preciso haver um para os católicos, para os espíritas”.

Teólogo e professor de Filosofia, o pastor Alexandre Marques também destaca a importância de não privilegiar nenhuma religião:
“Será preciso haver um dia para as tradições orientais e africanas, que foram demonizadas e atacadas”.

Fonte: Site Creio/ Extra Online

sábado, 11 de setembro de 2010

A CRIANÇA E A IGREJA - Por Alexandre Farias


Quem já não escutou, as seguintes frases sobre a criança nas igrejas: “AS crianças são o futuro da igreja”, “Um dia estas crianças vão estar em nosso lugar”, “Diácono, por favor, pegue esta criança no corredor da igreja, ela está atrapalhando o bom andamento do culto” , “ Vamos ter uma programação para a família, mas os filhos não podem participar. Deixem os filhos com a avó” .


Muitas igrejas (estou me referindo as igrejas que tem condições) nem se preocupam em colocar as crianças em um lugar digno, mas qualquer lugar serve, num cantinho, aquela sala que ninguém usa.

Mas será que levariam os empresários da igreja para mesma sala que os pequeninos usam para uma reunião?

Algumas destas frases poderiam ser engraçadas se não expressassem como a igreja tem tratado os nossos pequeninos.

Eu quero levar você a refletir sobre o relacionamento da criança e a igreja. Como Jesus se relacionou com os pequeninos e de que forma a igreja vê as crianças.

Igrejas que não incluem as crianças em suas programações
 
Jesus nunca pediu para que as crianças fossem retiradas de suas mensagens, pelo contrário, quando algumas foram levadas ao mestre para que ele as tocasse, foram os discípulos que dificultaram o contato entre Jesus e elas.
 
Uma brincadeirinha: Foi aqui que nasceram os primeiros diáconos, não que todos sejam desta forma, mas muitos agem assim mesmo.


Voltando....
Jesus vendo a atitude dos discípulos repreendeu-os, ficou indignado, pediu para que eles deixassem as crianças ter livre acesso dizendo: “Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus. (Marcos 10 v.13).”.

O mestre sabia que impedir as crianças de ter acesso a Ele, era a mesma coisa que dizer que elas não são importantes para o Reino de Deus. Imagine você, ser o membro de uma igreja e não poder conversar com o seu pastor! Ser barrado pelos seguranças do pastor! Ser proibido de chegar a Jesus!

Parece brincadeira, mas já existem pastores e apóstolos que agem desta forma.

Mas qual é a colheita destas atitudes?

A criança perde a referência dentro da Igreja, ela não ira amar aquele que a despreza.

Qual é a criança que ama alguém que a despreza?

Será que esta pergunta não deve ser feita para alguns ministérios?

Em muitas igrejas encontramos a mesma atitude que os discípulos tiveram, muitas crianças são deixadas de lado em algumas programações.

Pode parecer contraditório, mas quando existem as nomeadas “programações da família” em muitas igrejas, os pais recebem a orientação para deixar os filhos em casa, com avó, com a vizinha, com uma irmã para que a programação saia como planejada, da melhor forma possível, para que ela tenha sucesso.

E eu me pergunto:Será que estas programações são para a família? Será que a melhor programação para a família é aquela que os filhos atrapalham quando participam?

Que tipo de programação tem sucesso com a família se ela é separada antes de começar?
Os filhos fazem parte da família, são personagens principais e não coadjuvantes, são bênçãos e não maldição,devem participar das programações para que saibam que eles são importantes para o corpo de Cristo e para a família.

Não digo que elas devem fazer parte de toda programação, mas deveriam participar de algum tipo de atividade no período que os pais recebem a ministração. Muitos não participam destas programações porque não tem com quem deixar seus filhos.


Se a igreja vai fazer uma programação especifica para casais deve procurar  ajuda dos professores ou do ministério infantil! Eles podem programar algum evento no mesmo horário. Não é tão difícil resolver esta questão, basta querer e ter vontade.

Para alguns líderes, a criança não nota tal diferença, mas pelo contrário, existem crianças que estão com o olho no brinquedo e o ouvido no púlpito, na hora do aviso, elas sempre estão ligadas!

Certa vez, o meu filho, Lucas  tinha teve uma atitude interessante - Olha que ele estava com 7 anos...

Quando chegamos da igreja, ele foi para o seu quarto. Começou arrumar as malas, e a minha esposa perguntou o que ele estava fazendo.

A resposta veio : Estou arrumando as minhas malas porque o pastor disse que Jesus pode vir a qualquer hora e levar a gente pro céu!

Quando o pastor estava pregando, ele brincava no banco da igreja, mas com o ouvido no que o pastor dizia.

Agora, como uma criança se sente ao ser excluída de uma programação nomeada “da Família”?


Como uma criança vai ter prazer em ir a um lugar que a exclui da programação da sua própria família?

Se a igreja demonstra interesse por elas, esta atitude gera amor e um relacionamento com a igreja.

Os melhores relacionamentos são criados por aliança de amor.

O caso se agrava em alguns ministérios em que a criança é excluída explicitamente.
 
Existem igrejas que possuem um lugar amplo, capaz de oferecer uma estrutura compatível aos que os pequenos necessitam para aprender da palavra de Deus da melhor forma possível, mas elas não têm o objetivo de evangelizar as crianças e interesse de ter as crianças ativas no ministério.


Certa vez, perguntaram-me por que as crianças são tratadas desta forma. Não demorei a responder:: “Existem igrejas que não tem programações para as crianças por que elas não são dizimistas, empresárias e não podem participar de algumas campanhas “desafiadoras”. Eles não têm interesse de promover programações para quem não dá lucros aos caixas eclesiásticos.”

Amar os pequeninos é uma questão de viver o verdadeiro Cristianismo

Graças a Deus não são todas que desprezam as crianças, reconheço que muitas igrejas investem nos pequenos, fazem evangelização em escolas, creches e nas ruas demonstrando o verdadeiro amor que Jesus tem com os pequeninos. Preparam os seus professores investindo em cursos especializados para a evangelização infantil. Isto é Cristianismo!

Os pastores e líderes de ministério precisam entender que, quando Deus deu o seu Filho para morrer por nós, as crianças não foram retiradas do pacote. Elas fazem parte do plano de salvação.


A igreja deve entender que hoje elas são crianças, amanhã serão adolescentes e no futuro, adultos.

A criança é a igreja de “hoje e não do futuro”.

Deus abençoe

sábado, 28 de agosto de 2010

Fora Ratzinger!

A sucessão de denúncias contra abusos sexuais praticados por sacerdotes católicos pode afetar o próprio líder da Igreja Romana. A Associação de Teólogos João XXIII pediu, em manifesto, a renúncia imediata de Joseph Ratzinger, que acaba de completar cinco anos no comando da Santa Sé.

“O pontificado de Bento XVI está esgotado. O papa não tem a idade nem a mentalidade para responder adequadamente aos graves e urgentes problemas por que passa a Igreja Católica atualmente”, protesta a organização, surgida para cultivar o espírito reformista do Concílio Vaticano II, realizado nos anos 1960 sob a liderança daquele pontífice.

O manifesto foi publicado no jornal espanhol El país, dizendo ainda que a atual organização da Igreja Católica é obsoleta e corresponde mais a uma monarquia absoluta do que a um movimento fundado por Jesus. Teólogos ligados à Associação João XXIII lembram que Bento XVI teve seu nome citado em casos de acobertamento a padres pedófilos e reivindicam que os cargos do alto Clero sejam preenchidos através de processo democrático, envolvendo a “vontade de todos os fiéis”.


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Fonte : Revista Cristianismo Hoje

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Infância Ameaçada - Por Pr. Carlos Bezerra Jr.

“Quando o fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”, disse Jesus no relato de Mateus.

Pensar que nosso Senhor sente em si a afronta, a violência, o abuso a meninos e meninas dá a medida da seriedade do assunto, e do quanto à proteção à infância interessa, e muito, a Ele. Sob esse prisma, tente sentir o que o Mestre sentiu ao ouvir relatos como o das crianças que prestaram depoimento à operação policial de Catanduva, cidade no interior do Estado de São Paulo, em agosto do ano passado. Elas contaram terem sido obrigadas a ver um homem de 46 anos dançar nu músicas da banda Calypso antes de violentá-las.

Nos últimos anos, em todo o país, surgem movimentos e ações para proteger a infância; mobilizações saudáveis, mas que talvez precisem de um pequeno ajuste de foco. “Todos contra a pedofilia” – é o que entoam alguns parlamentares como grito de guerra. No entanto, cabe a reflexão: até que ponto esse mesmo grito pode significar “todos a favor das crianças”?

Criminoso que abusou de crianças entrevistado por programas sensacionalistas, ações quase pirotécnicas, blitze para prender abusadores surgem aqui e ali na imprensa. Mas alguém já se perguntou que tipo de assistência estaria sendo oferecida às crianças vítimas? Sim, porque se, por um lado, a punição ao criminoso é necessária, por outro, o atendimento e acompanhamento dos garotos e garotas abusados é imprescindível. Mais: no afã de chamar atenção para a gravidade do problema, expõe-se crianças em depoimentos descabidos. Imagine a dor e a humilhação a que uma menina que sofreu abuso é submetida quando tem de relatar o ocorrido para um tanto de gente que ela nunca viu na vida? Ou para políticos que estão até interessados em protegê-la, mas que não tem a qualificação necessária para ouvi-la relembrar aquela violência terrível sem fazer com que ela sofra de novo a agonia que passou?


Foi pensando nisso que, no início do ano passado, quando fui escolhido por unanimidade como relator da CPI “da Pedofilia” e do Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-Juvenil, propus uma mudança de foco. Sem deixar de lado a responsabilização, defini que daríamos prioridade à proteção da criança. O raciocínio é simples: de que adianta alardear ações pontuais se não há para onde encaminhar as crianças? Para que serve fazer denúncia e mais denúncia se os órgãos não conseguem atender a demanda que lhes é encaminhada? De nada, respondo. Ou alguém tem dúvida de que a criança que é retirada de um ponto de exploração sexual, por exemplo, e que não é protegida pelo poder público, volta, dias depois, para a mesma atividade?

Por isso, a CPI paulistana escolheu investigar a rede pública que presta (ou deveria prestar) assistência às vítimas, diagnosticando os seus problemas. Resultado? O relatório final que apresentei em dezembro de 2009 apontou omissão na maioria dos serviços responsáveis pela proteção à criança, detectou desinformação, falta de integração, demanda reprimida, baixa qualificação dos agentes públicos, carência de centros de referência e demora nos atendimentos. No mesmo documento, estão expostas 18 determinações para corrigir as falhas dos serviços municipais. São orientações duras, medidas a serem tomadas rapidamente. A mais rígida delas definiu que o Ministério Público firmasse Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura, para garantir que todas as indicações do relatório sejam cumpridas.

Esse novo caminho vem dando resultados concretos. Especialistas no assunto elogiaram o trabalho da CPI, disseram termos feito uma investigação inédita, de referência em todo o país. Em obediência a uma das definições do relatório, o Orçamento de São Paulo para 2010 traz uma dotação nova, uma garantia de verba carimbada (ou seja, que não pode ser transferida) exclusivamente para as políticas de prevenção ao abuso sexual, para equipar melhor a cidade, para investimento na qualificação e no atendimento psicológico das vítimas.

O trabalho na CPI rendeu muitos frutos. Ano passado, distribuí uma cartilha para pastores paulistanos orientando-os a como proteger as crianças da sua igreja, do seu bairro, a como se engajar nessa luta. Mês passado, fui a Barcelona, na Espanha, para assinar protocolo de intenções entre a capital paulista e a cidade espanhola, definindo compromissos comuns para combate ao abuso sexual infanto-juvenil. Tudo isso a partir dessa premissa, a da criança como prioridade absoluta.

No Brasil, uma criança é abusada a cada oito minutos. Imagine! Uma imagem de pornografia infantil chega a valer U$ 3 mil nas redes de pedofilia na Internet. Em 71% dos casos de abuso sexual, o abusador é da própria família. E em apenas 6% de todos os casos de violência sexual no mundo o agressor é punido... Isso sem falar nos destinos abruptamente desviados por causa do abuso, nas vidas destruídas, nas famílias desagregadas.

Os custos financeiros associados ao abuso infantil, que consideram rendas futuras perdidas - devido à dificuldade de pleno desenvolvimento das crianças vitimadas - e despesas com tratamentos de saúde mental foram estimados em US$ 94 bilhões, em estudo norte-americano.

Certamente Jesus é diariamente aviltado com tamanha violência, mas, em vez de apenas lamentar e orar pelo acontecido, deveríamos nos perguntar o que fazer para mudar essa realidade. Sim, porque o Mestre não cobrará apenas pelo que foi feito aos pequeninos, mas também pelo que deixamos de fazer. Omissão pode ser crime.


CARLOS BEZERRA JR., pastor, médico, vereador de São Paulo e líder do PSDB. Relator da CPI “da Pedofilia” e do Enfrentamento à Violência Sexual Infanto- Juvenil (2009).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Tesoureira da Universal é denunciada nos EUA



Segundo os promotores, ela teria apresentado informações falsas a bancos e ao governo americano a fim de obter mais de US$ 22 milhões (cerca de R$ 40 milhões) em empréstimos imobiliários em nome da Universal

Por Redação OGalileo

A Promotoria de Manhattan, em Nova York, ofereceu acusação formal contra Regina da Silva, de 41 anos, apontada como tesoureira da Igreja Universal do Reino de Deus.

Os crimes teriam ocorrido entre março de 2006 e outubro de 2008. Nas petições supostamente falsas, Regina indicaria que fiéis de duas igrejas - uma no bairro do Queens e outro no Brooklyn - teriam aprovado a obtenção das hipotecas junto aos bancos.

Os promotores afirmam que essas reuniões nunca ocorreram. A tesoureira vai responder por quatro crimes e, se condenada, pode pegar mais de 30 anos de prisão.

O advogados dela não foram localizados.

Com informações do Estadão /Yahoo